"A Morta", de Oswald de Andrade: um convite ao teatro antropofágico
"A Morta", peça de Oswald de Andrade escrita em 1937, é a última e mais densa peça do poeta modernista. Apresentada em três quadros, O País do Indivíduo, O País da Gramática e O País da Anestesia, esta obra soma-se a outras duas peças do autor, O Rei da Vela e O Homem e o Cavalo, e formam a “Trilogia da Devoração” do Teatro Antropofágico de Oswald. A peça reflete grande inquietude deste poeta, criando um teatro que possibilita um experimento com a linguagem. Muitos conhecem o Oswald de Andrade poeta e crítico do modernismo, e suas peças teatrais passam despercebidas pelo olhar do leitor. Um erro impetuoso, pois suas peças são verdadeiros gritos. Diante d’A Morta, o leitor deve montar um mosaico, pois a peça é uma teia de referências (intertextos), os personagens não têm suas personalidades próprias, funcionam como índices. Beatriz, a personagem central, que foi a musa inspiradora de Dante; Horácio, grande poeta lírico; o personagem Urubu, que faz re...