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Mostrando postagens de julho, 2010

O poeta que escreve silêncios: Arthur Rimbaud.

O poeta aventureiro Arthur Rimbaud, maldito como dizem alguns, teve uma vida intensa, explosiva como dinamite, quando a poesia aflorou em seus treze anos de idade, mas apenas por um curto período, onde viveu até os trinta e sete anos. Enquanto Baudelaire pintava a floresta de símbolos, Rimbaud “escrevia os silêncios, as noites, anotava o inexprimível” em (talvez) a mais significativa obra “ Une saison en enfer ”, marcada pelos Délires e pelo Mau Sangue . Deve-se notar – para sintetizar (muito) essas linhas que dizem respeito à vida e contexto histórico – que as inquietações de Rimbaud refletidas em sua poética devem-se a, pelo menos, dois fatores: primeiro, a guerra entre França e Prússia, a desordem que se instala em Paris com a queda do Segundo Império e a fome nas ruas; segundo, crises do poeta que o leva a enviar uma correspondência ao poeta Verlaine com seus poemas, culminando a sua ida a Paris por pedido de Verlaine. Não obstante, convém lembrar que, na esteira do simbolismo, o...

Fim de século: perspectivas para as vanguardas e a modernidade.

-->             O final do século XIX foi decisivo para o nascimento da boemia literária, dos vários “ismos” que surgem, dos movimentos vanguardistas, dos manifestos, enfim, do que a história da literatura chama de estética renovadora. Para compreender, por exemplo, o itinerário da literatura modernista brasileira e sua proposta, faz-se indispensável um percurso e conhecimento que aqui será feito (por mais sintético e metodológico que seja) dos ideais vanguardistas que efervesciam a Europa. O primeiro momento do modernismo brasileiro vem trazer essas tendências européias (onde Oswald de Andrade bem ilustra o espírito modernista importado da Europa em seu manifesto antropofágico), observando os quadros-revelação de Anita Malfatti, por exemplo. Mario de Andrade chama atenção para um espírito revolucionário de guerra produzidos em nós pelo momento europeu de vanguarda em seu “movimento modernista” - ANDRADE, 1978, p.231). Esse...