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Mostrando postagens de agosto, 2010

Literatura, Arte e Mercadoria em diálogo: A ilusão da liberdade da arte.

            A pergunta que sempre será recorrente é: para que serve a arte? Uma pergunta, pois, ausente de pensamento. E aqueles que fazem essa pergunta também questionam para que serve a literatura e, pior, querem saber o que literatura tem “a ver” com arte. Como se estivéssemos falando de um Serviço Militar para a arte ter de servir. Quem acha que a poesia deve servir para alguma coisa ou dar lucro não ama, de verdade, a poesia. Para pensar a arte e a literatura com pano de fundo o mundo burguês e a mercadoria, trazemos à luz o ensaio de Paulo Leminski, Arte In-útil, arte livre? (que está no seu livro Anseios Crípticos , 1997) e, após, alguns trechos de outros ensaios do mesmo livro, para concluir o pensamento da arte e da poesia. ARAUJO, RODRIGO M. S. ARTE IN-ÚTIL, ARTE LIVRE? A curiosa idéia de que a arte não está a serviço de nada a não ser de si mesma é relativamente recente. Data do romantismo europeu do século X...

[Dica de Leitura] A Poesia do Acaso

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       A dica de leitura do líriospretos vai para os interessados no movimento contracultural e na poesia spray, desde a sua origem nos muros da Sorbonne de maio de 1968 até a chegada do movimento e da poesia marginal no Brasil. O livro da Cristina Fonseca, A poesia do Acaso (na transversal da cidade) é um desses raros de se encontrar nas estantes, reúne várias poesias-spray, grafismo como define, bem como algumas entrevistas sobre essa poética que ultrapassa o código verbal, que tende para o não-verbal: icônico.        A radicalidade do pensamento mallarmaico foi o lance de dados para a poesia concreta, reinventa um código de comunicação, joga arquitetonicamente as palavras na folha em branco, no grande branco do silêncio. Dentre a reunião de entrevistas que o livro abarca, notável a entrevista do Décio Pignatari, de setembro de 81, onde ele fala da poesia marginal, do movimento contracultural e do spray, um ato público ...

Semiótica e literatura: quando o ícone invade o corpo verbal

É bem verdade que a Lógica seria um outro nome para a teoria geral dos signos (semiótica) postulada por Charles Sanders Peirce, onde ela está, ao lado da Ética e da Estética, no tripé das ciências normativas, ciência das leis necessárias do pensamento na busca da verdade. Para o leigo em semiótica, atentemo-nos ao fato de Semiótica (e vamos distinguir aqui Semiótica de Semiologia – estruturalista) dar conta das manifestações signicas, ciência nova, mas que (graças a Deus!) já vem sendo muito pesquisada nas universidades do Brasil, formando um rol de grandes estudiosos. Mas é importante atentar para o fato de não reduzir a Semiótica apenas à gramática especulativa, isto é, aos estudos do signo, visto que a Semiótica alicerça a lógica crítica e a metodêutica. Por enquanto, ficaremos com a citação de Décio Pignatari (2004, p. 21) acerca da teoria dos signos: “A semiótica, ou teoria geral dos signos, é uma indagação sobre a natureza dos signos e suas relações, entendendo-se por signo tudo...