Postagens

Mostrando postagens de novembro, 2010

Lanternas sentimentais no escuro da morte

Imagem
      Certo poema do Mário de Sá-Carneiro diz: “Perdi-me dentro de mim, porque eu era labirinto”. Às vezes, nos vemos perdidos em labirintos de Dédalo sem fio. E quem se perdeu do fio foi uma poetisa que acabou com a vida por causa da arte. Túneis escuros, pouca luz para esta cena.             Há pouco mais de um mês, no dia 5 de outubro de 2010, um caso um tanto peculiar: A poetisa e artista plástica Maria Cristina Gama, aracajuana, se suicida com uma faca, pois não conseguia mais lançar livros e que ninguém mais lia poesias no mundo contemporâneo. Era uma grande artista que pintava com as palavras e trabalhava a linguagem ao máximo. Certamente a velocidade do mundo moderno rasgou as linhas de seus pensamentos. Mundo cada vez mais globalizado e virtualizado nos campos do ciberespaços. Leia também: Rede cada vez mais rede   Virtualização do corpo: os caminhos de sua antropologia visual  ...

Semiótica e fotografia: algumas notas

Imagem
 ‘A fotografia sempre me espanta’, dizia Roland Barthes em A Câmara Clara .  Embora não tenha surgido com o intuito de substituir a pintura, a fotografia superou o retrato a óleo sobre tela por questões técnicas. Tentaremos pensar, aqui, a fotografia como um processo artístico capaz de representar mimeticamente o mundo exterior dentro da pesquisa semiótica.                      Roland Barthes indagava: “Será que a imagem é simplesmente uma duplicata de certas informações que um texto contém e, portanto, um fenômeno de redundância, ou será que o texto acrescenta novas informações à imagem?” Essa relação Palavra x Imagem é um tanto cara para eu me aprofundar aqui, tendo em face suas semelhanças e distinções no rol de aspectos imagéticos, até porque poderíamos passar horas discorrendo sobre imagens verbais e imagens mentais, bem como a imagem da palavra – ou o que Alfredo B...