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Mostrando postagens de setembro, 2011

Uma estrada para Julio Cortázar.

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                      Grande contista latino-americano, com uma extensa obra onde perpassam elementos do fantástico e do maravilhoso (sobre esses gêneros na narrativa cf. T. Todorov Iniciação à Lit. Fantástica , 1977; I. Chiampi, O Realismo Maravilhoso , 1980), Julio Cortázar é nome de peso para a crítica latino-americana. Não falarei de sua obra, apresentarei aqui o conto que abre seu livro “ Todos os fogos o fogo ”, A AUTOESTRADA DO SUL. Não apenas é aquele conto que abre um livro de contos, é um conto que permite percorrer as estradas de Cortázar.             A Autoestrada do Sul narra um acontecimento corriqueiro, bem prosaico: um engarrafamento na autoestrada que leva a pequena cidade de Fontainebleau a Paris. No conto, os personagens não são identificados por nomes, e sim pela marca dos seus carros, sendo eles a moça do Dalphine, o casal do Peugeot, as freiras do 2HP, os ...

Minha vida, meu aplauso: o grito pela liberdade de A. Herzer

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Alguns se atrevem a fazer imensuráveis listas dos 100, 200, 300 livros a serem lidos antes de morrer – no fundo todos têm livros a indicar. Pois bem, sem dúvidas um livro que não pode faltar nessas listas é o livro de um poeta quase caído (se não caído) no esquecimento pela crítica literária, Anderson “Bigode” Herzer, ou Herzer. Sim, poeta paranaense de Rolândia antes chamado Sandra Mara. Poeta transexual, marginalizado, crucificado e incompreendido pela sociedade. Sua única produção, o livro A QUEDA PARA O ALTO, foi produzido em sua passagem (longa passagem) pela FEBEM na década de 80. Sandra foi uma pessoa que teve o sofrimento e a morte como companhias. Perdeu o pai aos 4 anos de idade e a mãe aos 7. Órfã, foi adotada pelos tios. Descobriu na infância que a mãe era vulgar e infiel no casamento. Trouxe ainda as marcas de um pai que lhe assediava. Com o novo lar, sua vida continuou trucidada, não teve atenção dos tios, até o cachorro que tanto amava (depositava a chama do amor ...

Entre algas de silêncio ou como pensar uma página vazia.

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         O que dizer das algas? O que dizer? Talvez o mote deste texto que você lê seja a morte, ou até o silêncio – não precisaria logos para silêncio. Haveria de dizer que, quando penso nas algas de silêncio, penso em Ivan Junqueira, poeta e ensaísta brasileiro. Mas este texto não é sobre o poeta. E não penso só em um poeta, penso em poetas. E talvez por traz do mote esteja o objetivo desse texto, ver poetas e algas.             Primeiro, penso no silêncio. O que dizer silêncio? Corroboro com aqueles que dizem ser difícil falar do silêncio, há o que falar em códigos verbais do silêncio que é não-verbal? (estaria seguindo os passos de um Epicuro quando diz que a morte não nos diz respeito). A outra parede que parece tornar difícil falar em verbos do silêncio é o fato de nós ocidentais sermos regidos por um logos e pela lógica (aristotélica). Mas não quero falar aqui de história da filosofia. Mesmo arrisc...