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Mostrando postagens de 2012

O fazer poético em estado de noitessol

   Se for possível dilatar paragens, fronteiras, rotas, ou derrubar muros de areia, este texto se encontrará em um entre , ou melhor, em um entremeio . Estar entre induz estar entre duas ou mais coisas. Duas, no nosso caso: entre sol e noite. Por isso, cabe-nos melhor uma expressão bem empregada pelo crítico literário Maurice Blanchot: “entre-dois” (Em A CONVERSA INFINITA 1, 2001, p. 35). Pensaremos então: a possibilidade de um fazer poético no “entre-dois”, no entremeio . Entre o dia e a noite, façamos abrigo, ergamos: construção. Construir uma morada no “entre”. Construir e habitar. Apontamos para o filósofo alemão Martin Heidegger (ref. texto: "Construir, Habitar, Pensar" em ENSAIOS E CONFERÊNCIAS, 2002). Construir para habitar, e mais além: que habitar é construir. Em habitando. Edificação. Ouçamos o filósofo: A essência de construir é deixar-habitar. [...] Somente em sendo capazes de habitar é que podemos construir (HEIDEGGER, 2002, p. 139).  E assim construímos u...

As imagens nauseantes do cinema de Aleksandr Sokurov: O SEGUNDO CÍRCULO (1990).

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        Uma velha casa, poucos móveis, uma cama velha, um morto sobre a cama, o filho a velá-lo, neve, frio, imagens em tons de sépia. Assim é o filme O Segundo Círculo (1990), do cineasta russo Aleksandr Sokurov, um dos seus filmes mais angustiantes. Neste filme há uma quase total ausência se trilha sonora (apenas uma sinfonia nos últimos minutos). 92 minutos de imagens nauseantes, tão geladas quanto o inverno russo. E mais: quase toda a narrativa passa-se dentro de casa (pouquíssimas cenas têm locação externa). A narrativa filma um moribundo e o filho tentando enterrá-lo. 92 minutos sobre um velório. Aparentemente o roteiro parece simples, mas não para a câmera sokuroviana que chega a causar certa claustrofobia.        As imagens em O Segundo Círculo abrem um abismo em nós, nos jogam numa angústia sem fundo, imagens agônicas, imagens delirantes. Dilaceram-nos. Imagens oníricas, imagens que falam, e aí justifica-se a...

Rubem Fonseca - O Corcunda e a Vênus de Botticelli

Primeira postagem do blog de 2012 traz um conto do livro Secreções, Excreções e Desatinos , do Rubem Fonseca, grande nome da literatura contemporânea. Ótimo conto para pensar literatura, poesia, criação literária. Download aqui