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Mostrando postagens de junho, 2014

[Cinema japonês] Susumu Hani e a Nuberu Bagu

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Susumu Hani é um dos nomes responsáveis pela chamada Nouvelle Vague japonesa ( Nuberu Bagu ) e a renovação cinematográfica pós-1950. Nome que, junto a outros aqui citados, continua na obscuridade de nosso público.   Filho de um pai marxista e amante da obra de Brecht, e de mãe e avós cristãos, Hani teve uma infância conturbada, da exclusão a um sentimento de inferioridade, já que era gago – e não estranho ecoar um personagem de Yukio Mishima, Mizoguchi, no romance “ O tempo do pavilhão dourado ”, que compartilha da mesma deficiência no mundo: ser gago, gagueira que não é apenas o liame da dicotomia belo-feio, mas também representação da monstruosidade que era sua vida em uma realidade tão monstruosa quanto, nas ruínas do pós-guerra. A gagueira levou Susumu Hani logo cedo aos livros de Freud, que configura ao campo psicológico um traço forte do seu cinema. Neste ponto, Susumu Hani e o personagem Mizoguchi, de Yukio Mishima, partilham de uma mesma ordem: a gagueira como uma porta ...

[Cinema japonês] A Trilogia Budista de Akio Jissoji e um quase-comentário

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É preciso abrir um parêntesis quando se fala do cineasta Akio Jissoji (1937-2006) no horizonte do cinema japonês: é largamente desconhecido pelo público brasileiro e -- resultado disto -- suas obras configuram uma tamanha escassez. Em meu caminho pelo cinema japonês e pelo cinema de Jissoji, meu método será tomar o que temos de disponível do seu escasso acervo e dele fazer uma pequena introdução ao que buscarei percorrer no cinema nipônico, especialmente da segunda metade do século XX (e se eu estiver vivo, do século atual). Com a segunda metade do século XX, o cinema japonês experienciou na franja do curso e no jogo da linguagem uma rica energia nos modos de como jogar com a tradição e com os valores ocidentais introduzidos. Se o grupo da Nuberu Bagu (a Nouvelle Vague japonesa) configura uma originalidade ou não, veremos no decorrer dos filmes posteriormente. Quero ficar, por hora, apenas com uma frase da Lúcia Nagib acerca de uma conceituação da Nouvelle Vague japonesa: ...

Simbolismo brasileiro: Poema ARTE MALDITA, de Venceslau de Queirós

Um poema de um dos precursores do simbolismo no Brasil: Venceslau de Queirós (1865-1921), paulista e também crítico de literatura e de arte (ainda desconhecido por nós). ARTE MALDITA ( In: POESIA SIMBOLISTA : ANTOLOGIA, org. Péricles Ramos, 1965, p. 63). Arte Maldita! Circe feiticeira! Bebi também teu filtro de estramônio Para sonhar a minha vida inteira No meio deste humano pandemônio; Para não ver, numa feliz cegueira, da realidade o negro horror gorgônio, fugindo assim à multidão rasteira sobre as asas rebeldes do demônio... Interpretando os simbolos eternos Da natureza, encantos e pavores, Gozo de quem percorre céus e infernos... E vou cristalizando no meu verso - No meu verso onde estalam tantas dores - o sonho astral do coração perverso.