[Cinema japonês] Susumu Hani e a Nuberu Bagu
Susumu Hani é um dos nomes responsáveis pela chamada Nouvelle Vague japonesa ( Nuberu Bagu ) e a renovação cinematográfica pós-1950. Nome que, junto a outros aqui citados, continua na obscuridade de nosso público. Filho de um pai marxista e amante da obra de Brecht, e de mãe e avós cristãos, Hani teve uma infância conturbada, da exclusão a um sentimento de inferioridade, já que era gago – e não estranho ecoar um personagem de Yukio Mishima, Mizoguchi, no romance “ O tempo do pavilhão dourado ”, que compartilha da mesma deficiência no mundo: ser gago, gagueira que não é apenas o liame da dicotomia belo-feio, mas também representação da monstruosidade que era sua vida em uma realidade tão monstruosa quanto, nas ruínas do pós-guerra. A gagueira levou Susumu Hani logo cedo aos livros de Freud, que configura ao campo psicológico um traço forte do seu cinema. Neste ponto, Susumu Hani e o personagem Mizoguchi, de Yukio Mishima, partilham de uma mesma ordem: a gagueira como uma porta ...