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Mostrando postagens de julho, 2014

Boitempo III, de Carlos Drummond de Andrade. Poemas escolhidos

  Para mim, os cinco melhores poemas do livro Esquecer para lembrar : Boitempo III (1980, 2ª edição da Editora José Olympio), do Carlos Drummond de Andrade. Ou o que se pode aproveitar desta última o bra da trilogia Boitempo . Penso que, das 3, esta seja a menos interessante do Drummond. Lembro que na obra Passos de Drummond , do Alcides Vilaça, o crítico também faz nota à frustração de leitura de alguns poemas d a trilogia B oitempo. Mas s im. É u ma difícil escolha essa de organizar poemas escolhidos. E há estes poemas interessantíssimos selec ionados . __________________ Procurar o que O que a gente procura muito e sempre não é isto nem aquilo. É outra coisa. Se me perguntam que coisa é essa, não respondo, porque não é da conta de ninguém o que estou procurando. Mesmo que quisesse responder, eu não podia. Não sei o que procuro. Deve ser por isso mesmo que procuro. Me chamam de bobo porque vivo olhando aqui e ali, nos ninhos, nos caramujos, nas panelas, nas folh...

Manuel Bandeira e Torquato Neto: poetas entre os destroços do presente

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Quando penso em Manuel Bandeira, gosto muito daquele Bandeira visto pelo crítico literário Davi Arrigucci Jr, daquele Bandeira que soube que poesia não é só manifestação dos instantes de alumbramentos , mas poesia se faz com palavras (a velha lição de Mallarmé). Falo do livro " O Cacto e as Ruínas " (2000, Editora Duas Cidades), uma bela leitura do poema "O Cacto" (Este poema se encontra em "Libertinagem", in: Bandeira, Estrela da vida inteira : poesias reunidas, Editora José Olympio, 1986, p. 96) que, segundo Arrigucci, é o personagem central da história de uma vida em resumo (Arrigucci, p. 37). Um Manuel Bandeira voltado para o sentimento trágico da condição do homem que se evoca na imagem da planta (Arrigucci, p. 87). Seja um poeta do humilde cotidiano, ainda para pensar com Davi Arrigucci Jr, seja um poeta entre o aprendizado da morte e a poética da ausência, para lembrar um pequeno e singular livro da Yudith Rosenbaum (Rosenbaum, Uma poesia da ausên...

[Cinema japonês] O cinema caótico de Teruo Ishii

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Não é fácil assistir aos filmes de Teruo Ishii (1924-2005). Posso até notar um diálogo entre Ishii e Susumu Hani: filmes que alternam entre a beleza e a crueza. Não é fácil ver Ishii, pois seus filmes estão centrados no sadismo e na crueldade. Conhecido como um mestre no cinema de horror, Teruo Ishii, demasiadamente conhecido pela crítica cinematográfica brasileira, começou com um filme de boxe, em 1957, e só depois enveredou em um gênero mais erótico-grotesco . Desta fase mais madura de Ishii, o filme que se sobressalta e aqui quero lançar um brevíssimo comentário é “ O horror dos homens deformados ” (1969) que, inclusive, foi banido no Japão por algumas décadas.  Em Horrors of Malformed Men , Hirosuke Hitome é um estudante de Medicina que acorda desmemoriado em um manicômio, entre mulheres loucas com os seios a mostra e um certo homem misterioso, o qual Hirosuke irá matar e assim fugir do manicômio. A fuga de Hirosuke é embalada por uma canção que ele não sabe a origem e pel...