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Mostrando postagens de agosto, 2014

Keisuke Kinoshita e seu cinema de sensibilidade II

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Falar do cinema de Keisuke Kinoshita é também falar de um solo fértil para o encontro poesia/cinema. Ou, para ilustrar minha ideia de encontros (diálogos): aquilo que um estimado professor de Filosofia, Gilvan Fogel, em seu livro Sentir, Ver, Dizer (2012, Editora Mauad X), diz do modo próprio de ser da arte, que pontua a cadência da vida, quer dizer, que o encontro arte e vida é: “ a vida, de acordo com e a partir de a arte; uma vida, pois, que se faz, que cresce desde a arte ” (Gilvan Fogel, 2012, p.11, Introdução). Vida e arte, isto é: articulações . Mestre em articular vida e arte, Kinoshita também ousou na linguagem audiovisual, no experimentalismo. Arrisco dizer que todo estudante de cinema ou todo aspirante devia passar pelo cinema de Kinoshita, pelo menos com os filmes "A Balada de Narayama" (1958) e “O Rio Fuefuke” [ Fuefukigawa ] (1960), para meditar com mais afinco sobre a semiótica e o experimentalismo cinematográfico. Nesta parte final das notas sobre o ci...

Keisuke Kinoshita e seu cinema de sensibilidade I

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Nascido em 1912, Keisuke Kinoshita foi contemporâneo e colega de um grande mestre do cinema nipônico (chegaremos a ele, em breve), Akira Kurosawa, mais conhecido do Ocidente. Não tendo se internacionalizado como Akira, Kinoshita logo cedo serviu à guerra, e sua experiência no serviço militar será um dado importante e decisivo para seu cinema. O que sabemos de suas primeiras obras como diretor (cf. Maria Novielli, História do cinema japonês , 2007, p. 123) é que Kinoshita começou com o gênero comédia. É também sabido que a sua comédia “A volta de Carmen” [ Karumen Kokyo Ni Kaeru ] (1951) é a primeira obra em cores da história do cinema japonês. Após o filme “Uma tragédia japonesa” [ Nihon no higeki ] (1953), que foca em um conflito de gerações, Kinoshita   parece deixar o gênero comédia e partir para outros caminhos, novas rotas. E experimenta, após 1954, um cinema mais emocional, ou como diz a pesquisadora Maria Novielli, “ um período de sentimentalismo ” (Novielli, Idem , p. 200...