Postagens

Mostrando postagens de fevereiro, 2015

Curva da margem: Shuji Terayama e outros

Imagem
minha poesia não canta nada – como haveria de cantar? – berra todo nosso sufoco como um doido na camisa-de-força. vem do útero do ânus estuprado do peito doente da cirrose do fígado. minha poesia é o pânico a quarta dimensão terrível da vida consumada no porto da barra pesada das penitenciárias dos hospícios do pervintin da maconha da cachaça do povo na rua – do povo de minha laia. minha poesia é o hino dos libertinos q conspiram na noite dos generais... (Ras Adauto, poema “A pombinha e o urbanóide”, in: 26 POETAS HOJE, Org. Heloisa Buarque de Hollanda, 6ª Ed. 2007, p. 251).             Este poema do Ras Adauto é, para mim, um dos que melhor sintetiza o momento da poesia contracultural brasileira, da poesia marginal daqueles anos 70, ou poesia clandestina, como chamou Glauco Mattoso em seu livrinho O que é poesia marginal (Ed. Brasiliense, 2ª ...