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Mostrando postagens de dezembro, 2015

A vida como bailado

A morada do homem, o extraordinário (Heráclito, Fragmento 119, Diagrama) Eu morro ontem, Nasço amanhã, Ando onde há espaço (Vinícius de Moraes, Poética)        Não. A sensação é esta: ser estrangeiro não é apenas uma mudança de espacialidade, é descentralizar-se, ou melhor: é desterritorializar-se. Sim, estou a pensar em Félix Guattari, quando em sua obra Caosmose nos fala do sujeito contemporâneo desterritorializado, sem terra natal, sem ponto de origem. Tudo está em movimento. « Tudo circula […] tudo se tornou intercambiável» (Guattari, Caosmose ,1992, edição brasileira, Editora 34, p. 169). Estamos sempre a ser turistas (de nós mesmos) em terras outras. Sujeitos errantes como o flâneur baudelairiano das cinzentas ruas de Paris. Ser estrangeiro é jogar no espaço do Outro – desse mesmo Outro que os Estudos Culturais se ocupam: o negro, o gay, o colonizado. É jogar no campo da diferença cultural, da identidade, do hibridismo – inegável a co...