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Alegria breve em Shohei Imamura

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Ora vejam: por que ainda nos assombra a crueldade? E chorar? Não é evidente que choramos não apenas diante da dor e do horror da vida? Não é isto que nos diz o padre António Vieira ao referir-se ao riso de Demócrito como uma ironia da lágrima? (A. Vieira, in As lágrimas de Heráclito , sermão italiano em edição brasileira pela Ed. 34). Ou tudo isto – amor, tristeza, raiva, alegria – não é senão afeto? Difícil mesmo é definir o cinema de Imamura dentro do cinema japonês pós-50. Quer dizer: fácil, mas igualmente fácil de se perder e ficar no óbvio. Cinema escorregadio. Minado. Cruel, às vezes. Começo pela sua crítica. Muito concentrada, aliás, nas primeiras produções de Imamura: “a predileção pelas camadas mais baixas da sociedade” como tema nuclear (Maria Roberta Novielli, in História do Cinema Japonês , 2007, Ed. UnB, p. 221); o que logo lhe rendeu a etiqueta de sociólogo do cinema japonês : “Imamura’s fascination with social anthropology” (Tom Mes and Jasper Sharp in The Midnight...