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O poeta que escreve silêncios: Arthur Rimbaud.

O poeta aventureiro Arthur Rimbaud, maldito como dizem alguns, teve uma vida intensa, explosiva como dinamite, quando a poesia aflorou em seus treze anos de idade, mas apenas por um curto período, onde viveu até os trinta e sete anos. Enquanto Baudelaire pintava a floresta de símbolos, Rimbaud “escrevia os silêncios, as noites, anotava o inexprimível” em (talvez) a mais significativa obra “ Une saison en enfer ”, marcada pelos Délires e pelo Mau Sangue . Deve-se notar – para sintetizar (muito) essas linhas que dizem respeito à vida e contexto histórico – que as inquietações de Rimbaud refletidas em sua poética devem-se a, pelo menos, dois fatores: primeiro, a guerra entre França e Prússia, a desordem que se instala em Paris com a queda do Segundo Império e a fome nas ruas; segundo, crises do poeta que o leva a enviar uma correspondência ao poeta Verlaine com seus poemas, culminando a sua ida a Paris por pedido de Verlaine. Não obstante, convém lembrar que, na esteira do simbolismo, o...

Fim de século: perspectivas para as vanguardas e a modernidade.

-->             O final do século XIX foi decisivo para o nascimento da boemia literária, dos vários “ismos” que surgem, dos movimentos vanguardistas, dos manifestos, enfim, do que a história da literatura chama de estética renovadora. Para compreender, por exemplo, o itinerário da literatura modernista brasileira e sua proposta, faz-se indispensável um percurso e conhecimento que aqui será feito (por mais sintético e metodológico que seja) dos ideais vanguardistas que efervesciam a Europa. O primeiro momento do modernismo brasileiro vem trazer essas tendências européias (onde Oswald de Andrade bem ilustra o espírito modernista importado da Europa em seu manifesto antropofágico), observando os quadros-revelação de Anita Malfatti, por exemplo. Mario de Andrade chama atenção para um espírito revolucionário de guerra produzidos em nós pelo momento europeu de vanguarda em seu “movimento modernista” - ANDRADE, 1978, p.231). Esse...

A Topofilia do Sertão na Literatura Brasileira: Recortes e uma Fotografia do Brasil.

            Esta resenha crítica é fruto de discussões do mini-curso sobre a obra poética de Guimarães Rosa no Encontro Regional de Letras de 2010 acerca da problemática da leitura de espaços na literatura rosiana bem como da nação. Aqui, serão alçados três pontos importantes (e propositais) para discorremos sobre o tema e discernir a problemática. Primeiro, em busca de uma definição filosófica da topofilia, desembocando em três momentos da literatura: o pré-modernismo , o chamado regionalismo nordestino de 30 e a geração de 45 , onde serão feitas algumas leituras do sertão que cada um desses momentos na literatura retrata. Segundo, compreender o Brasil a partir da leitura do primeiro tópico como uma nação heterogênea por formação histórica. Terceiro, o modo como Guimarães Rosa fotografa o Brasil e capta uma nação contraditória, onde se valerão algumas análises calcadas na semiótica da fotografia. 1     ...

Os poetas, como os cegos, podem ver na escuridão¹

      Olhar e compreender o Outro vem sendo uma questão reflexiva no Ocidente, principalmente quando destacamos duas conjecturas sobre esse olhar: uma, nas proposições filosóficas do alemão Martin Heidegger sobre o entrecruzar do ocidente com o oriente; outra, quando esse Outro nos completa. 1 Trecho da música Choro Bandido de Chico Buarque de Holanda e Edu Lobo. 1 Comecemos com o pensamento heideggeriano. A cultura oriental é marcada por uma riqueza de detalhes visuais e imagéticos e configurada no gestual. A cultura oriental, portanto, é carregada de signos não-verbais. Para esse assunto sobre a riqueza oriental indico alguns filmes: Um, A Escola do Riso , de Mamoru Hosi, 2004, onde o criador de peças japonesas, Tsubaki, quer levar o humor para o teatro – em pleno país em guerra – mas terá de ter a aprovação do censor Sakisaka-san. O filme é praticamente todo ambientado na sala do censor, o qual veta várias partes e, no contexto, acaba se tornando c...

Conceitos de Literatura: uma introdução

                            Quando pensamos na atualidade sobre o mundo real, alguns pontos podem ser elencados nesse pensamento, tais como insatisfação, guerras, violência etc. Todos concordamos que a realidade gritante a qual estamos inseridos é, de certa forma, insatisfatória. Quantas vezes já não fechamos a porta do quarto para esquecer o mundo lá fora, quantas vezes já não sentimos certa inconformidade do mundo e seus problemas e, a partir disso, quantas vezes já não descontamos essa inconformidade no papel?             Nada melhor que um espaço para discutir tais pensamentos (e discutiremos literatura a partir das conjecturas dos teóricos literários). É, pois, a partir desse descontentamento do homem com a realidade que o faz procurar uma válvula de escape, uma fuga. Aqui, indico o filme do Woo...