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Lanternas sentimentais no escuro da morte

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      Certo poema do Mário de Sá-Carneiro diz: “Perdi-me dentro de mim, porque eu era labirinto”. Às vezes, nos vemos perdidos em labirintos de Dédalo sem fio. E quem se perdeu do fio foi uma poetisa que acabou com a vida por causa da arte. Túneis escuros, pouca luz para esta cena.             Há pouco mais de um mês, no dia 5 de outubro de 2010, um caso um tanto peculiar: A poetisa e artista plástica Maria Cristina Gama, aracajuana, se suicida com uma faca, pois não conseguia mais lançar livros e que ninguém mais lia poesias no mundo contemporâneo. Era uma grande artista que pintava com as palavras e trabalhava a linguagem ao máximo. Certamente a velocidade do mundo moderno rasgou as linhas de seus pensamentos. Mundo cada vez mais globalizado e virtualizado nos campos do ciberespaços. Leia também: Rede cada vez mais rede   Virtualização do corpo: os caminhos de sua antropologia visual  ...

Semiótica e fotografia: algumas notas

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 ‘A fotografia sempre me espanta’, dizia Roland Barthes em A Câmara Clara .  Embora não tenha surgido com o intuito de substituir a pintura, a fotografia superou o retrato a óleo sobre tela por questões técnicas. Tentaremos pensar, aqui, a fotografia como um processo artístico capaz de representar mimeticamente o mundo exterior dentro da pesquisa semiótica.                      Roland Barthes indagava: “Será que a imagem é simplesmente uma duplicata de certas informações que um texto contém e, portanto, um fenômeno de redundância, ou será que o texto acrescenta novas informações à imagem?” Essa relação Palavra x Imagem é um tanto cara para eu me aprofundar aqui, tendo em face suas semelhanças e distinções no rol de aspectos imagéticos, até porque poderíamos passar horas discorrendo sobre imagens verbais e imagens mentais, bem como a imagem da palavra – ou o que Alfredo B...

Os caminhos de Monteiro Lobato na escola.

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            Obra de Lobato sob a ameaça de ser censurada na escola pública ou que venha com um aviso de conteúdo racista. A literatura de Monteiro Lobato é danosa para as crianças? A tentativa de evitar que crianças a leiam partiu de um mestrando.            Na última sexta-feira, 29 de outubro, o servidor da Secretaria do Estado da Educação do DF, Antonio Gomes da Costa Neto, encaminhou a denúncia de que partes do livro ‘Caçadas de Pedrinho’, de Monteiro Lobato, teriam conteúdo racista e que o autor devia ser evitado nas Escolas. O jornal ESTADÃO publicou uma matéria e recorto aqui o seguinte trecho: Para o CNE [Conselho Nacional de Educação], os professores da rede pública não estão preparados para lidar com esse tipo de mensagem em sala de aula. O autor da denúncia, o mestrando em relações raciais da UnB Antonio Gomes da Costa Neto, acredita que o livro de Lobato “d...

Literatura, Arte e Mercadoria em diálogo: A ilusão da liberdade da arte.

            A pergunta que sempre será recorrente é: para que serve a arte? Uma pergunta, pois, ausente de pensamento. E aqueles que fazem essa pergunta também questionam para que serve a literatura e, pior, querem saber o que literatura tem “a ver” com arte. Como se estivéssemos falando de um Serviço Militar para a arte ter de servir. Quem acha que a poesia deve servir para alguma coisa ou dar lucro não ama, de verdade, a poesia. Para pensar a arte e a literatura com pano de fundo o mundo burguês e a mercadoria, trazemos à luz o ensaio de Paulo Leminski, Arte In-útil, arte livre? (que está no seu livro Anseios Crípticos , 1997) e, após, alguns trechos de outros ensaios do mesmo livro, para concluir o pensamento da arte e da poesia. ARAUJO, RODRIGO M. S. ARTE IN-ÚTIL, ARTE LIVRE? A curiosa idéia de que a arte não está a serviço de nada a não ser de si mesma é relativamente recente. Data do romantismo europeu do século X...

[Dica de Leitura] A Poesia do Acaso

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       A dica de leitura do líriospretos vai para os interessados no movimento contracultural e na poesia spray, desde a sua origem nos muros da Sorbonne de maio de 1968 até a chegada do movimento e da poesia marginal no Brasil. O livro da Cristina Fonseca, A poesia do Acaso (na transversal da cidade) é um desses raros de se encontrar nas estantes, reúne várias poesias-spray, grafismo como define, bem como algumas entrevistas sobre essa poética que ultrapassa o código verbal, que tende para o não-verbal: icônico.        A radicalidade do pensamento mallarmaico foi o lance de dados para a poesia concreta, reinventa um código de comunicação, joga arquitetonicamente as palavras na folha em branco, no grande branco do silêncio. Dentre a reunião de entrevistas que o livro abarca, notável a entrevista do Décio Pignatari, de setembro de 81, onde ele fala da poesia marginal, do movimento contracultural e do spray, um ato público ...

Semiótica e literatura: quando o ícone invade o corpo verbal

É bem verdade que a Lógica seria um outro nome para a teoria geral dos signos (semiótica) postulada por Charles Sanders Peirce, onde ela está, ao lado da Ética e da Estética, no tripé das ciências normativas, ciência das leis necessárias do pensamento na busca da verdade. Para o leigo em semiótica, atentemo-nos ao fato de Semiótica (e vamos distinguir aqui Semiótica de Semiologia – estruturalista) dar conta das manifestações signicas, ciência nova, mas que (graças a Deus!) já vem sendo muito pesquisada nas universidades do Brasil, formando um rol de grandes estudiosos. Mas é importante atentar para o fato de não reduzir a Semiótica apenas à gramática especulativa, isto é, aos estudos do signo, visto que a Semiótica alicerça a lógica crítica e a metodêutica. Por enquanto, ficaremos com a citação de Décio Pignatari (2004, p. 21) acerca da teoria dos signos: “A semiótica, ou teoria geral dos signos, é uma indagação sobre a natureza dos signos e suas relações, entendendo-se por signo tudo...

O poeta que escreve silêncios: Arthur Rimbaud.

O poeta aventureiro Arthur Rimbaud, maldito como dizem alguns, teve uma vida intensa, explosiva como dinamite, quando a poesia aflorou em seus treze anos de idade, mas apenas por um curto período, onde viveu até os trinta e sete anos. Enquanto Baudelaire pintava a floresta de símbolos, Rimbaud “escrevia os silêncios, as noites, anotava o inexprimível” em (talvez) a mais significativa obra “ Une saison en enfer ”, marcada pelos Délires e pelo Mau Sangue . Deve-se notar – para sintetizar (muito) essas linhas que dizem respeito à vida e contexto histórico – que as inquietações de Rimbaud refletidas em sua poética devem-se a, pelo menos, dois fatores: primeiro, a guerra entre França e Prússia, a desordem que se instala em Paris com a queda do Segundo Império e a fome nas ruas; segundo, crises do poeta que o leva a enviar uma correspondência ao poeta Verlaine com seus poemas, culminando a sua ida a Paris por pedido de Verlaine. Não obstante, convém lembrar que, na esteira do simbolismo, o...