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[Artigo] Imagens da natureza na poesia haikai de Paulo Franchetti

[Artigo] Morte e Literatura: a poesia de Sandra Herzer

O fazer poético em estado de noitessol

   Se for possível dilatar paragens, fronteiras, rotas, ou derrubar muros de areia, este texto se encontrará em um entre , ou melhor, em um entremeio . Estar entre induz estar entre duas ou mais coisas. Duas, no nosso caso: entre sol e noite. Por isso, cabe-nos melhor uma expressão bem empregada pelo crítico literário Maurice Blanchot: “entre-dois” (Em A CONVERSA INFINITA 1, 2001, p. 35). Pensaremos então: a possibilidade de um fazer poético no “entre-dois”, no entremeio . Entre o dia e a noite, façamos abrigo, ergamos: construção. Construir uma morada no “entre”. Construir e habitar. Apontamos para o filósofo alemão Martin Heidegger (ref. texto: "Construir, Habitar, Pensar" em ENSAIOS E CONFERÊNCIAS, 2002). Construir para habitar, e mais além: que habitar é construir. Em habitando. Edificação. Ouçamos o filósofo: A essência de construir é deixar-habitar. [...] Somente em sendo capazes de habitar é que podemos construir (HEIDEGGER, 2002, p. 139).  E assim construímos u...

As imagens nauseantes do cinema de Aleksandr Sokurov: O SEGUNDO CÍRCULO (1990).

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        Uma velha casa, poucos móveis, uma cama velha, um morto sobre a cama, o filho a velá-lo, neve, frio, imagens em tons de sépia. Assim é o filme O Segundo Círculo (1990), do cineasta russo Aleksandr Sokurov, um dos seus filmes mais angustiantes. Neste filme há uma quase total ausência se trilha sonora (apenas uma sinfonia nos últimos minutos). 92 minutos de imagens nauseantes, tão geladas quanto o inverno russo. E mais: quase toda a narrativa passa-se dentro de casa (pouquíssimas cenas têm locação externa). A narrativa filma um moribundo e o filho tentando enterrá-lo. 92 minutos sobre um velório. Aparentemente o roteiro parece simples, mas não para a câmera sokuroviana que chega a causar certa claustrofobia.        As imagens em O Segundo Círculo abrem um abismo em nós, nos jogam numa angústia sem fundo, imagens agônicas, imagens delirantes. Dilaceram-nos. Imagens oníricas, imagens que falam, e aí justifica-se a...

Rubem Fonseca - O Corcunda e a Vênus de Botticelli

Primeira postagem do blog de 2012 traz um conto do livro Secreções, Excreções e Desatinos , do Rubem Fonseca, grande nome da literatura contemporânea. Ótimo conto para pensar literatura, poesia, criação literária. Download aqui

Sociologia da fotografia e da imagem: a presença do ausente

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      "A Fotografia não documenta o cotidiano. Ela faz parte do imaginário e cumpre funções de revelação e ocultação da vida cotidiana. Portanto, as pessoas são fotografadas representando-se na sociedade e representando-se para a sociedade. A fotografia documenta, como atriz, a sociabilidade como dramaturgia. Ela é parte da encenação". (José de Souza Martins, A sociologia da fotografia e da imagem, p.47. Ed. Contexto, 2009).           Um excelente livro para o campo das teorias da fotografia, não apenas para ir além da tese barthesiana de fotografia apenas como registro e documento do real. Um livro para pensar a fotografia como inventiva, simuladora, um indício do irreal que domina e inventa o Outro.         As fotografias que compõem o livro do sociólogo José de Souza Martins fazem parte do ensaio fotográfico CARANDIRU: A presença do ausente. A fotografia acima tem o título "A prisão vista da torre de Babel (2002...

Paulo Leminski: um tear de palavras ou uma máquina de pensar

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          Tomar a linguagem como objeto para a compreensão de uma filosofia da linguagem, filosofia esta que Auroux (2009) chamou atenção para não ser reduzida “à filosofia das ciências da linguagem” (AUROUX, 2009, p.8), permite articular uma relação de sentido da linguagem com o mundo (1)  [1] , de significação como apontou Auroux, onde “o mundo participa da significação da linguagem” (AUROUX, 2009, p.64) – onde é a língua, pois, que materializa os sentidos, que muito diz de nós na relação com o exterior (excluído nas relações saussurianas); língua que também “tem formas próprias para expressar o elemento subjetivo” (GUIMARÃES, 1995, p.16). Sendo a linguagem o atributo próprio da humanidade, a escrita, assim, pode exercer a função transformadora do estatuto da fala , fazendo valer a tese de que é a escrita um jogo ordenado de signos. Signo que se dispersa no espaço.             O poeta curitibano Pa...