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[Cinema japonês] Susumu Hani e a Nuberu Bagu

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Susumu Hani é um dos nomes responsáveis pela chamada Nouvelle Vague japonesa ( Nuberu Bagu ) e a renovação cinematográfica pós-1950. Nome que, junto a outros aqui citados, continua na obscuridade de nosso público.   Filho de um pai marxista e amante da obra de Brecht, e de mãe e avós cristãos, Hani teve uma infância conturbada, da exclusão a um sentimento de inferioridade, já que era gago – e não estranho ecoar um personagem de Yukio Mishima, Mizoguchi, no romance “ O tempo do pavilhão dourado ”, que compartilha da mesma deficiência no mundo: ser gago, gagueira que não é apenas o liame da dicotomia belo-feio, mas também representação da monstruosidade que era sua vida em uma realidade tão monstruosa quanto, nas ruínas do pós-guerra. A gagueira levou Susumu Hani logo cedo aos livros de Freud, que configura ao campo psicológico um traço forte do seu cinema. Neste ponto, Susumu Hani e o personagem Mizoguchi, de Yukio Mishima, partilham de uma mesma ordem: a gagueira como uma porta ...

[Cinema japonês] A Trilogia Budista de Akio Jissoji e um quase-comentário

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É preciso abrir um parêntesis quando se fala do cineasta Akio Jissoji (1937-2006) no horizonte do cinema japonês: é largamente desconhecido pelo público brasileiro e -- resultado disto -- suas obras configuram uma tamanha escassez. Em meu caminho pelo cinema japonês e pelo cinema de Jissoji, meu método será tomar o que temos de disponível do seu escasso acervo e dele fazer uma pequena introdução ao que buscarei percorrer no cinema nipônico, especialmente da segunda metade do século XX (e se eu estiver vivo, do século atual). Com a segunda metade do século XX, o cinema japonês experienciou na franja do curso e no jogo da linguagem uma rica energia nos modos de como jogar com a tradição e com os valores ocidentais introduzidos. Se o grupo da Nuberu Bagu (a Nouvelle Vague japonesa) configura uma originalidade ou não, veremos no decorrer dos filmes posteriormente. Quero ficar, por hora, apenas com uma frase da Lúcia Nagib acerca de uma conceituação da Nouvelle Vague japonesa: ...

Simbolismo brasileiro: Poema ARTE MALDITA, de Venceslau de Queirós

Um poema de um dos precursores do simbolismo no Brasil: Venceslau de Queirós (1865-1921), paulista e também crítico de literatura e de arte (ainda desconhecido por nós). ARTE MALDITA ( In: POESIA SIMBOLISTA : ANTOLOGIA, org. Péricles Ramos, 1965, p. 63). Arte Maldita! Circe feiticeira! Bebi também teu filtro de estramônio Para sonhar a minha vida inteira No meio deste humano pandemônio; Para não ver, numa feliz cegueira, da realidade o negro horror gorgônio, fugindo assim à multidão rasteira sobre as asas rebeldes do demônio... Interpretando os simbolos eternos Da natureza, encantos e pavores, Gozo de quem percorre céus e infernos... E vou cristalizando no meu verso - No meu verso onde estalam tantas dores - o sonho astral do coração perverso.

[Cinema japonês] O Silêncio Não Tem Asas (1966), de Kazuo Kuroki

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A partir do ano de 2014, escreverei aqui neste blog, aos poucos, algumas notas acerca dos filmes que venho assistindo e pesquisando no Cinema Japonês (dos "Mestres" aos contemporâneos). Por que o interesse no cinema japonês? Lembro sempre de uma frase de um diretor nipônico, Masahiro Shinoda, que me serve de Introdução a este cinema; diz Shinoda: " Os filmes europeus se baseiam na psicologia humana; os americanos na ação e nas lutas do ser humano; os japoneses nas circunstâncias. Os filmes japoneses estão concentrados naquilo que rodeia o ser humano ". Não tratarei aqui do primórdio do cinema japonês, nem de Shozo Makino (o "pai" do cinema nipônico); para isto, pode-se consultar o 1º capítulo do livro da Maria Roberta Novielli, HISTÓRIA DO CINEMA JAPONÊS , 2007, Ed. da UnB -- que recorreremos, aqui, uma vez ou outra.  Começo aqui com um filme de 1966, de Kazuo Kuroki, um diretor muito desconhecido no público brasileiro e com obras mais desconhecidas...

[Artigo] Imagens da natureza na poesia haikai de Paulo Franchetti

[Artigo] Morte e Literatura: a poesia de Sandra Herzer

O fazer poético em estado de noitessol

   Se for possível dilatar paragens, fronteiras, rotas, ou derrubar muros de areia, este texto se encontrará em um entre , ou melhor, em um entremeio . Estar entre induz estar entre duas ou mais coisas. Duas, no nosso caso: entre sol e noite. Por isso, cabe-nos melhor uma expressão bem empregada pelo crítico literário Maurice Blanchot: “entre-dois” (Em A CONVERSA INFINITA 1, 2001, p. 35). Pensaremos então: a possibilidade de um fazer poético no “entre-dois”, no entremeio . Entre o dia e a noite, façamos abrigo, ergamos: construção. Construir uma morada no “entre”. Construir e habitar. Apontamos para o filósofo alemão Martin Heidegger (ref. texto: "Construir, Habitar, Pensar" em ENSAIOS E CONFERÊNCIAS, 2002). Construir para habitar, e mais além: que habitar é construir. Em habitando. Edificação. Ouçamos o filósofo: A essência de construir é deixar-habitar. [...] Somente em sendo capazes de habitar é que podemos construir (HEIDEGGER, 2002, p. 139).  E assim construímos u...