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Keisuke Kinoshita e seu cinema de sensibilidade II

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Falar do cinema de Keisuke Kinoshita é também falar de um solo fértil para o encontro poesia/cinema. Ou, para ilustrar minha ideia de encontros (diálogos): aquilo que um estimado professor de Filosofia, Gilvan Fogel, em seu livro Sentir, Ver, Dizer (2012, Editora Mauad X), diz do modo próprio de ser da arte, que pontua a cadência da vida, quer dizer, que o encontro arte e vida é: “ a vida, de acordo com e a partir de a arte; uma vida, pois, que se faz, que cresce desde a arte ” (Gilvan Fogel, 2012, p.11, Introdução). Vida e arte, isto é: articulações . Mestre em articular vida e arte, Kinoshita também ousou na linguagem audiovisual, no experimentalismo. Arrisco dizer que todo estudante de cinema ou todo aspirante devia passar pelo cinema de Kinoshita, pelo menos com os filmes "A Balada de Narayama" (1958) e “O Rio Fuefuke” [ Fuefukigawa ] (1960), para meditar com mais afinco sobre a semiótica e o experimentalismo cinematográfico. Nesta parte final das notas sobre o ci...

Keisuke Kinoshita e seu cinema de sensibilidade I

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Nascido em 1912, Keisuke Kinoshita foi contemporâneo e colega de um grande mestre do cinema nipônico (chegaremos a ele, em breve), Akira Kurosawa, mais conhecido do Ocidente. Não tendo se internacionalizado como Akira, Kinoshita logo cedo serviu à guerra, e sua experiência no serviço militar será um dado importante e decisivo para seu cinema. O que sabemos de suas primeiras obras como diretor (cf. Maria Novielli, História do cinema japonês , 2007, p. 123) é que Kinoshita começou com o gênero comédia. É também sabido que a sua comédia “A volta de Carmen” [ Karumen Kokyo Ni Kaeru ] (1951) é a primeira obra em cores da história do cinema japonês. Após o filme “Uma tragédia japonesa” [ Nihon no higeki ] (1953), que foca em um conflito de gerações, Kinoshita   parece deixar o gênero comédia e partir para outros caminhos, novas rotas. E experimenta, após 1954, um cinema mais emocional, ou como diz a pesquisadora Maria Novielli, “ um período de sentimentalismo ” (Novielli, Idem , p. 200...

Boitempo III, de Carlos Drummond de Andrade. Poemas escolhidos

  Para mim, os cinco melhores poemas do livro Esquecer para lembrar : Boitempo III (1980, 2ª edição da Editora José Olympio), do Carlos Drummond de Andrade. Ou o que se pode aproveitar desta última o bra da trilogia Boitempo . Penso que, das 3, esta seja a menos interessante do Drummond. Lembro que na obra Passos de Drummond , do Alcides Vilaça, o crítico também faz nota à frustração de leitura de alguns poemas d a trilogia B oitempo. Mas s im. É u ma difícil escolha essa de organizar poemas escolhidos. E há estes poemas interessantíssimos selec ionados . __________________ Procurar o que O que a gente procura muito e sempre não é isto nem aquilo. É outra coisa. Se me perguntam que coisa é essa, não respondo, porque não é da conta de ninguém o que estou procurando. Mesmo que quisesse responder, eu não podia. Não sei o que procuro. Deve ser por isso mesmo que procuro. Me chamam de bobo porque vivo olhando aqui e ali, nos ninhos, nos caramujos, nas panelas, nas folh...