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Curva da margem: Shuji Terayama e outros

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minha poesia não canta nada – como haveria de cantar? – berra todo nosso sufoco como um doido na camisa-de-força. vem do útero do ânus estuprado do peito doente da cirrose do fígado. minha poesia é o pânico a quarta dimensão terrível da vida consumada no porto da barra pesada das penitenciárias dos hospícios do pervintin da maconha da cachaça do povo na rua – do povo de minha laia. minha poesia é o hino dos libertinos q conspiram na noite dos generais... (Ras Adauto, poema “A pombinha e o urbanóide”, in: 26 POETAS HOJE, Org. Heloisa Buarque de Hollanda, 6ª Ed. 2007, p. 251).             Este poema do Ras Adauto é, para mim, um dos que melhor sintetiza o momento da poesia contracultural brasileira, da poesia marginal daqueles anos 70, ou poesia clandestina, como chamou Glauco Mattoso em seu livrinho O que é poesia marginal (Ed. Brasiliense, 2ª ...

O poema. O negativo. A tortura. Notas para encerrar 2014

Este blog não pode encerrar o ano de 2014 sem sublinhar dois poemas nucleares do recente livro ESTADO CRÍTICO (2013, Editora Hedra), do poeta paulistano Régis Bonvicino. Num livro cheio de citações, que absorve o barulho e o silêncio (veja o humor e contradição nisto) da grande metrópole, perpassado por metalinguagem, estes dois poemas que aqui reproduzo corporalizam bem algo que sempre tenho em mente acerca do que é poesia , do poder da poesia , de sua função : ser ruptura e subversão (da forma, a "desestabilização" como vemos em Heloisa B. H. em seu prefácio à antologia 26 Poetas Hoje , referente à poesia marginal, ou clandestina , como dizia Glauco Mattoso), que chegue, toque e atinja todas as camadas da vida : poesia-vida . Reproduzo abaixo os poemas: "Poema negativo" (primeiro poema do livro) e "Tortura". Poema negativo Régis Bonvicino, 2013 Um poema negativo é o que se paga bônus Sem vender livros Respira por aparelhos críticos ...

#38ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo: notas sobre alguns filmes

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Nuits Blanches sur la Jetée (2014), “ Noites Brancas no Píer ”, de Paul Vecchiali.   Um filme bastante peculiar exibido na 38ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo (que, aliás, deve seu sucesso a alguns bons filmes do cinema latino-americano lançados na Mostra) é certamente o francês Nuits Blanches sur la Jetée (2014), “ Noites Brancas no Píer ”, de Paul Vecchiali, tradução de um conto do escritor russo Fiodor Dostoievski. Preciso começar esta breve nota do filme de Vecchiali com a recepção do filme, ligada, de certo modo, com a minha escolha pelo termo “tradução”, e não adaptação ou releitura. Estranhamente este filme teve uma recepção negativa por parte de algumas pessoas. Uma rápida pesquisa na web foi suficiente para me deparar com alguns sites em que seus autores sublinham a superficialidade, o caráter raso na proposta de encenação do filme e, alguns comentários mais ousados como pode ser visto na página do filme na rede social Filmow , sublinhando a “tenta...