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Mostrando postagens de junho, 2015

A vida em desuso

A vida é um hospital Onde quase tudo falta. Por isso ninguém se cura E morrer é que é ter alta (FERNANDO PESSOA, In: Quadras . Lisboa: Assírio e Alvim, p. 50).            Talvez os poetas sejam os que melhor sentem e experienciam as agruras da vida, os que mais se encontram desencaixados no mundo, os que mais nutrem uma espécie atormentadora de inconformação com a realidade. Sujeitos que convivem com uma dor diária, com uma melancolia que desbota a cor do real a sua volta – claro, nem toda poesia é isto, e nem toda criação literária nascerá deste pranto. Estes poetas – atormentados, inconformados, incapazes, rebeldes algumas vezes, transgressoras outras vezes – carregam algo daquilo que um pensador romeno, Emil Cioran, falava a respeito da vida: um banho de fogo de enfermidade (sobretudo em sua primeira obra escrito em romeno, Sur les cimes du désespoir , “Nos cumes do desespero”), onde não há esperanças, onde não há saídas, onde não h...