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[Cinema japonês] O Silêncio Não Tem Asas (1966), de Kazuo Kuroki

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A partir do ano de 2014, escreverei aqui neste blog, aos poucos, algumas notas acerca dos filmes que venho assistindo e pesquisando no Cinema Japonês (dos "Mestres" aos contemporâneos). Por que o interesse no cinema japonês? Lembro sempre de uma frase de um diretor nipônico, Masahiro Shinoda, que me serve de Introdução a este cinema; diz Shinoda: " Os filmes europeus se baseiam na psicologia humana; os americanos na ação e nas lutas do ser humano; os japoneses nas circunstâncias. Os filmes japoneses estão concentrados naquilo que rodeia o ser humano ". Não tratarei aqui do primórdio do cinema japonês, nem de Shozo Makino (o "pai" do cinema nipônico); para isto, pode-se consultar o 1º capítulo do livro da Maria Roberta Novielli, HISTÓRIA DO CINEMA JAPONÊS , 2007, Ed. da UnB -- que recorreremos, aqui, uma vez ou outra.  Começo aqui com um filme de 1966, de Kazuo Kuroki, um diretor muito desconhecido no público brasileiro e com obras mais desconhecidas...

[Artigo] Imagens da natureza na poesia haikai de Paulo Franchetti

[Artigo] Morte e Literatura: a poesia de Sandra Herzer

O fazer poético em estado de noitessol

   Se for possível dilatar paragens, fronteiras, rotas, ou derrubar muros de areia, este texto se encontrará em um entre , ou melhor, em um entremeio . Estar entre induz estar entre duas ou mais coisas. Duas, no nosso caso: entre sol e noite. Por isso, cabe-nos melhor uma expressão bem empregada pelo crítico literário Maurice Blanchot: “entre-dois” (Em A CONVERSA INFINITA 1, 2001, p. 35). Pensaremos então: a possibilidade de um fazer poético no “entre-dois”, no entremeio . Entre o dia e a noite, façamos abrigo, ergamos: construção. Construir uma morada no “entre”. Construir e habitar. Apontamos para o filósofo alemão Martin Heidegger (ref. texto: "Construir, Habitar, Pensar" em ENSAIOS E CONFERÊNCIAS, 2002). Construir para habitar, e mais além: que habitar é construir. Em habitando. Edificação. Ouçamos o filósofo: A essência de construir é deixar-habitar. [...] Somente em sendo capazes de habitar é que podemos construir (HEIDEGGER, 2002, p. 139).  E assim construímos u...

As imagens nauseantes do cinema de Aleksandr Sokurov: O SEGUNDO CÍRCULO (1990).

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        Uma velha casa, poucos móveis, uma cama velha, um morto sobre a cama, o filho a velá-lo, neve, frio, imagens em tons de sépia. Assim é o filme O Segundo Círculo (1990), do cineasta russo Aleksandr Sokurov, um dos seus filmes mais angustiantes. Neste filme há uma quase total ausência se trilha sonora (apenas uma sinfonia nos últimos minutos). 92 minutos de imagens nauseantes, tão geladas quanto o inverno russo. E mais: quase toda a narrativa passa-se dentro de casa (pouquíssimas cenas têm locação externa). A narrativa filma um moribundo e o filho tentando enterrá-lo. 92 minutos sobre um velório. Aparentemente o roteiro parece simples, mas não para a câmera sokuroviana que chega a causar certa claustrofobia.        As imagens em O Segundo Círculo abrem um abismo em nós, nos jogam numa angústia sem fundo, imagens agônicas, imagens delirantes. Dilaceram-nos. Imagens oníricas, imagens que falam, e aí justifica-se a...

Rubem Fonseca - O Corcunda e a Vênus de Botticelli

Primeira postagem do blog de 2012 traz um conto do livro Secreções, Excreções e Desatinos , do Rubem Fonseca, grande nome da literatura contemporânea. Ótimo conto para pensar literatura, poesia, criação literária. Download aqui

Sociologia da fotografia e da imagem: a presença do ausente

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      "A Fotografia não documenta o cotidiano. Ela faz parte do imaginário e cumpre funções de revelação e ocultação da vida cotidiana. Portanto, as pessoas são fotografadas representando-se na sociedade e representando-se para a sociedade. A fotografia documenta, como atriz, a sociabilidade como dramaturgia. Ela é parte da encenação". (José de Souza Martins, A sociologia da fotografia e da imagem, p.47. Ed. Contexto, 2009).           Um excelente livro para o campo das teorias da fotografia, não apenas para ir além da tese barthesiana de fotografia apenas como registro e documento do real. Um livro para pensar a fotografia como inventiva, simuladora, um indício do irreal que domina e inventa o Outro.         As fotografias que compõem o livro do sociólogo José de Souza Martins fazem parte do ensaio fotográfico CARANDIRU: A presença do ausente. A fotografia acima tem o título "A prisão vista da torre de Babel (2002...